Serialização e rastreabilidade de medicamentos x logística

Serialização e rastreabilidade de medicamentos x logística

Digiqole ad

Artigo por Sérgio Maia

O que esses temas têm a ver juntos?

É um assunto importante e que não está sendo tão divulgado fora do segmento de medicamentos e da sua logística especializada, mas o modelo a ser implantado serve também para incentivar outros segmentos de produtos como cigarros, bebidas, dentre outros produtos, a fazer o mesmo.

Primeiramente, gostaria de parabenizar a Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, por tirar esse projeto da gaveta, pois será muito útil para as indústrias, hospitais, clínicas, farmácias e pacientes, além de corroborar na segurança logística das operações, mitigando fraudes e roubo de cargas, nesse caso – medicamentos.

Vamos direto ao ponto: a Anvisa definiu regras para a implantação do Sistema Nacional de Controle de Medicamentos (SNCM) e sua rastreabilidade, criado inicialmente pela Lei 11.903/2009. Esse sistema de identificação individualizado de medicamentos, com o emprego de tecnologias de captura, armazenamento e transmissão eletrônica de dados, foi colocado em prática somente em março de 2021, para teste em modo piloto e POC´s (Proof of Concept) pelos integrantes da cadeia logística e indústria, mas com expectativa de ser implantado até abril de 2022. Logo, esse período de um ano está servindo para a indústria farmacêutica, transportadores, armazéns e distribuidoras possam se adaptar a essas novas regras, processos de serialização e rastreabilidade em suas operações de embalagem e logística.

Mas o que é serialização?

Cada unidade de medicamento (embalagem) passa a ter o IUM (Identificador Único de Medicamento), tornando “únicos” cada um dos mais de 80.000 medicamentos distribuídos no Brasil. Não falo “produzidos”, pois as farmácias do mundo são China e Índia, onde a maior parte dos insumos dos medicamentos são produzidos. Aqui no Brasil, a maior parte das indústrias farmacêuticas embalam, encapsulam, fazem controle e testes de qualidade nos medicamentos, sendo mais simplista na definição de tarefas; mas enfim…essa é outra discussão, pois poderíamos ter mais pesquisas, estudos e indústrias fabricando produtos com alto valor agregado, o que seria muito bom para nossa economia.

A serialização é como se fosse um RG de uma pessoa física, para cada medicamento, permitindo assim: o rastreamento em qualquer ponto da cadeia de movimentação de medicamentos, desde a indústria, até a farmácia, hospital ou clínica; ao cliente final saber se o medicamento que está comprando é original ou falsificado, por intermédio de consulta no site da Anvisa.

O IUM é representado na embalagem por um código único bidimensional (data matriz) com as informações básicas: GTIN – Código identificação do produto, Registro Anvisa, Data de Validade, Lote, Número de série do produto (serialização do produto).

Como isso ocorre?

Na linha de embalagem das indústrias, por meio de processos, equipamentos e integração com a Anvisa, esses códigos serão gerados, validando aquele medicamento com um número de série único, liberando-o para consumo e movimentação na cadeia de abastecimento: transportadoras, distribuidoras, armazéns etc.

Todos os participantes da cadeia estão se adaptando: as indústrias em serializar os medicamentos e seguir padrões da Anvisa; as transportadoras, armazéns e distribuidoras usando softwares e banco de dados que possam validar se o que estão transportando é legal. Com isso, os pontos finais também poderão, em breve, checar se o que estão recebendo, são produtos de procedência e validados pelo nosso órgão federal de Vigilância Sanitária, a Anvisa.

Ganham todos, mesmo que haja custos logísticos nessa mudança. Eu, inclusive, concordo em pagar um pouco mais caro, só por saber que estou adquirindo/usando um medicamento autêntico e seguro.

Que essas boas práticas sirvam de estímulo para que outros produtos tenham as mesmas regras, gerando mais confiança e segurança aos clientes finais, bem como ao setor de Logística que está sempre disposto a contribuir, adaptar-se e agregar valor em todos os produtos que movimenta nas suas operações.

Sérgio Maia –  Consultor e profissional de Logística há 22 anos. sergio.maia1008@gmail.com

Fonte: Modais em Foco. Foto: Divulgação

Artigos relacionados

Deixa um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *