Mercado Livre aposta na logística e compra Kangu

Mercado Livre aposta na logística e compra Kangu

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O Mercado Livre, em mais um passo para fortalecer sua rede de logística, comprou a Kangu por valor não divulgado. O objetivo é não depender de terceiros para entregas e construir uma rede forte de logística própria. A aquisição é especialmente relevante por trazer vantagens para todo o processo de delivery na América Latina. A Kangu traz para a rede do Mercado Livre 5 mil pontos espalhados por 700 cidades do Brasil, México e Colômbia.

O QUE É KANGU?

A Kangu, criada em 2018, utiliza um modelo inovador para aumentar os pontos de distribuição de encomenda: a startup utiliza pequenas lojas de bairro para armazenar, coletar e distribuir os pacotes – como consequência, elimina a dependência de serviços de logística terceirizados, como os Correios ou Loggi.

O Mercado Livre já utilizava os serviços da Kangu desde o ano passado, mas com a demanda crescente do e-commerce, decidiu por adquirir a startup e incorporar a operação à sua malha logística. Com a aquisição, a Kangu já prevê a expansão no número de pontos de entrega e coleta no Brasil: de 2,6 mil para 3,5 mil até o final de 2021.

A ESTRATÉGIA

A compra da Kangu faz parte de uma estratégia mais ampla do Mercado Livre de ampliar seu alcance geográfico e reduzir o tempo das entregas. Ainda no mês passado, o Mercado Livre anunciou os planos de abrir dois novos centros de distribuição, um na Grande São Paulo e um em Belo Horizonte.

Em uma corrida acirrada por quem entrega mais rápido, o Mercado Livre disputa com outros players do e-commerce pelas entregas mais rápidas do Brasil. Magalu e Nuvemshop são dois concorrentes que já anunciaram investimentos significativos em logística na América Latina. A corrida tem motivo: a expectativa é que as vendas online quadrupliquem nos próximos anos, atingindo níveis próximos aos da China – onde quase 50% das vendas totais do varejo vêm do e-commerce.

Além de expandir a rede logística para mais pontos, a Kangu deve ajudar na entrega de encomendas em pontos alternativos, representar novos pontos para coleta que atendam o número crescente de vendedores locais e melhorar a experiência do consumidor com a devolução de pedidos, por exemplo, utilizando os pontos para evitar que os clientes precisem enfrentar filas em agências dos Correios.

POR QUE IMPORTA?

A aquisição é mais uma que demonstra o apetite dos grandes e-commerces nacionais por startups que acelerem sua expansão logística – a aquisição tem como objetivo garantir uma expansão inorgânica rápida, que levaria mais tempo se realizada somente desenvolvendo soluções internas.

Com o crescimento acelerado do e-commerce no Brasil, que começou na pandemia, mas que deve continuar em tendência crescente, várias lacunas e problemas foram evidenciados nas redes de distribuição: desde o tempo de entrega, até a dificuldade para atender regiões mais remotas, lidar com devoluções e competir com outros players por métricas como entregas no mesmo dia e até entregas em um prazo de horas. Nessa briga por eficiência quem sai ganhando – até agora – são os consumidores.

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